Não gosto de
borrego. Não sei, não gosto e detesto aquelas pessoas que me dizem “ah, mas é
tão bom quando eles tiram ‘aquilo’... sabe tão bem chupar até os ossos num
guisado”. Que nojo! Chupar os ossos sabendo que esteve – ou está – lá ‘aquilo’,
a bolsa de sebo que os bichos oferecem gratuitamente a quem os degusta.
Decididamente, não me convencem a comer borrego!
Sou assim,
não sigo a maré e tenho a mania de fazer aquilo que a minha cabeça manda. Vem
este discurso sobre borregos, sebos e teimosias a propósito da vitória do
António Felix da Costa na prova do DTM realizada o passado final de semana em
Zandvoort, Holanda. Um feito assinalável, pois fez a “Portuguesa” ecoar na
cabeça dos holandeses, meio oca pela queima da flora dos países baixos, e dos alemães,
tornou-se no primeiro luso a vencer no campeonato alemão de turismos e deixou
os habituais cataventos à beira de uma ereção, creio mesmo que à beira de um
orgasmo. Suspeito que alguns... bom, adiante!
Mas, lá
está, não tenho ereções com as vitórias de alguém e muito menos sinto o
estertor do orgasmo porque um português ganhou uma corrida do DTM, não
deixando, claro, de ter orgulho no “Formiga”. Por isso, em primeiro lugar,
parabéns António Félix da Costa! Sei que não vais saber se te dei os parabéns ou
não, mas sei que quem está em volta acabará por ler isto e vai te dizer algo do
género “o tipo do Facebook que desancou em ti num grupo agora dá-te palmadas
nas costas”. Seja como for, os parabéns são sinceros. São sinceros porque, ao
contrário de muitos, sempre disse que tens um talento enorme, gigantesco, quase
interestelar (isto sou eu a exagerar...). Mas também sempre disse que estavas
mal acompanhado e que não te soubeste comportar perante tudo aquilo que sucedeu
na tua vida.
Tal como
sucede com o borrego, que só quando se tira “aquilo” é que fica, dizem,
comestível, não gosto daqueles que arrasam tudo e todos, olhando para a árvore
e esquecendo a floresta, mas que quando surgem as vitórias dizem “ahhhh eu
tinha razão”. Acertar no Euromilhões depois de saber os números... até eu que
não jogo. Dá azar!
António
Félix da Costa perdeu o comboio da F1. Não por ser português. Nem porque não se
vende RedBull suficiente em Portugal – se fosse por isso não havia preocupação
- nem porque os russos despejaram um bidão de petróleo pela cabeça abaixo do
patrão da equipa das bebidas energéticas, ou porque o senhor austríaco com cara
de poucos amigos “embirrou” com um miúdo cheio de talento com uma alcunha que
não lembra a ninguém. O António Félix da Costa perdeu a F1 porque falou demais,
a família falou demais e porque o “Formiga” (que raio de alcunha!) não soube
lidar com a chegada à F1. Tiradas como “vou ser o melhor do mundo” e “já estou
na F1”, demonstraram que não estava preparado para o que estava a chegar.
O jovem
António Félix da Costa e a sua família nunca perceberam que não basta ser
jeitoso com um volante na mão. É como o borrego... a carne até pode ser
suculenta e carregada de virtudes, mas se não for retirado “aquilo” de uma
forma perfeita, o sabor a sebo estragará, eternamente, as qualidades que
acredito o bicho tenha.
Atirado
violentamente para o DTM como se manda para a reciclagem um papel velho e
amarrotado, acredito que o António Félix da Costa tenha ficado chateado e até
tenha soltado algumas lágrimas de raiva. Logo as carpideiras do costume vieram
pedir para acabar com o consumo de RedBull e mais uma série de ideias que só
podem vir de pessoas que comem muito borrego... sem que tenham tirado “aquilo”.
É que o sebo tem como efeito secundário desfocar o pensamento. Dizem!
O primeiro
ano foi de aprendizagem, os erros foram mais que muitos, mas o dinheiro da
RedBull e a sagacidade de quem comanda a BMW Motorsport serviram de rede e
ampararam a queda que se previa dolorosa.
Passados
longos meses, finalmente, chegou a recompensa na forma de vitória. Mas esta
vitória só chegou porque sendo o DTM muito menos estimulante – ter no cartão de
visita “Piloto DTM” é muito diferente de ter lá escrito “Piloto de F1” – o
“Formiga” andou murcho e calado, fazendo o trabalho que lhe ordenaram sem
muitas queixas. Colocado na equipa Schnitzer, recebeu um voto de confiança pelo
seu enorme, brilhante, talento com um volante nas mãos e um carro debaixo do
rabo. Aceitou mudar, calou-se, amadureceu e, finalmente, percebeu que a F1 já
lá vai e que não será ele a melhorar o palmarés português na disciplina máxima
do desporto automóvel (discutível esta afirmação, mas agora isso não interessa)
nas mãos de Tiago Monteiro, cujo pódio nos EUA continua a ser o que de melhor
fizemos no ganha pão do Bernie Ecclestone.
Ora, porque
não como borrego porque não gosto e não vou na conversa do “é bom se tirarmos
‘aquilo’”, também nunca fui em euforias e por isso congratulei-me com a vitória
do António Félix da Costa na Holanda... nada mais. Eu sei que as redes sociais,
ontem, parecia que tinham sido invadidas por gente que tomou Cialis ou Viagra,
tais foram os orgasmos tidos com a vitória do “Formiga”.
Foi bom, mas
foi apenas uma vitória (vá lá, acompanhada por um segundo lugar na primeira
corrida e uma “pole-position”)...
Talvez
acompanhe a onda de felicidade e também eu tenha uma momento de felicidade
intima se, no final do ano, o António Félix da Costa exibir no
seu bornal mais vitórias e tenha lutado de forma clara pela melhor
classificação possível no campeonato. Caso contrário terá sido uma vitória esporádica e mínimo valor
Até lá, vou
continuar a não comer borrego, mesmo que o melhor cozinheiro do mundo diga que
tirou ao bicho “aquilo”...
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